Consciência Coletiva
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Acredita-se na interação através da boa vontade e da paciência

Quinta-feira, Maio 08, 2003
o que foi?

posted by Carlos Magno Rodrigues Rocha 7:50 PM
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Fim da leitura de "A inteligência coletiva: por uma antropologia do ciberespaço" de Pierre Lévy.

posted by Carlos Magno Rodrigues Rocha 7:36 PM
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Inteligência coletiva: concepções, expressões e processos de formação

O ideal da inteligência coletiva implica a valorização técnica, econômica, jurídica e humana de uma inteligência distribuída por toda parte, a fim de desencadear uma dinâmica positiva de reconhecimento e mobilização das competências.

O conteúdo da escrita é a fala, o da imprensa é a escrita, o do telégrafo a palavra impressa, o da tv o rádio, o do cinema a televisão, o do ciberespaço todos eles. E qual seria o conteúdo da fala? A fala por sua própria configuração é um processo de pensamento, real, não-verbal em si mesmo. Seu conteúdo é o pensamento, a cognição, em última análise o conhecimento e a sabedoria humana.


A inteligência coletiva não é um conceito exclusivamente cognitivo.

A cognição é o processo do conhecer, de tomar conhecimento, aprender.

A inteligência coletiva é um projeto global cujas dimensões éticas e estéticas são tão importantes quanto os aspectos tecnológicos e organizacionais, uma valorização do humano.

A economia sempre girará em torno do que jamais se automatiza completamente, do humano, do relacional, do irredutível.

É função da inteligência coletiva promover a sociabilidade, a hospitalidade, o reconhecimento mútuo, criar diversidades, proporcionar ferramentas de autonomia, variar os prazeres, aumentar a competência dos grupos e dos indivíduos.

O objetivo desta consciência coletiva é colocar em questão para a análise comum um possível tecnodemocracia, que nada mais é do que uma democracia interfaciada pelas tecnologias da comunicação. Mas antes é preciso centrarmos bem no ambiente sócio-histórico e sócio-técnico em que vivemos. Para isso colocarei uma pequena linha do tempo sob ao aspectos das diversas tecnologias.

Um espaço antropológico é um sistema próprio do mundo humano, dependente de técnicas, de significações, da linguagem, da cultura, das convenções, das representações e das emoções humanas.

Os espaços antropológicos são espaços de significações que surgiram seqüencialmente durante o percurso da história do homo-sapiens e que hoje convivem temporalmente e espacialmente causando fenômenos vários. São 4 os espaços antropológicos:

1. O Espaço Terra caracterizado pela predominância da linguagem oral, das técnicas e das formas mais elementares de organização social, como a religião em seu sentido mais amplo;
2. O Espaço Território, cujas características são o domínio da agricultura, do surgimento das cidades e da escrita;
3. O Espaço Mercantil predominando o controle dos fluxos de materiais, dos negócios distantes, das estradas e dos viajantes.
4. O Espaço do Saber onde a sabedoria coletiva orquestra tendências.

O formigueiro fornece o exemplo do contrário da inteligência coletiva, pois o formigueiro é pré-humano. Lá, como no cupinzeiro, nada é pensamento, todas as práticas estão no instinto, no animalesco.

A inteligência coletiva tem início na cultura, no nprocesso ancestral de tranmissão de saberes. Pensamos com idéias, línguas, tecnologias cognitivas que recebemois de uma comunidade.
A inteligência coletiva é uma consciência distribuída por toda parte, incessantemente valorizada, coordenada em tempo real, que resulta de uma mobilização efetiva das competências.

Ninguém sabe tudo, todos sabem alguma coisa, todo o saber está na humanidade.

Assiste-se hoje a uma verdadeira organização da ignorância sobre a inteligência das pessoas.

O projeto de consciência coletiva inclui e emplia o ¿conhece-te a ti mesmo¿ para um ¿aprendamos a nos conhecer para pensarmos juntos¿, e generaliza o ¿penso, logo existo¿ em um ¿formamos uma inteligência coletiva, logo existimos como uma comunidade¿.

A condição elementar da inteligência coletiva é uma nova dimensão da comunicação, que permita-nos compartilhar nosso conhecimentos e apontá-los uns para os outros.

A inteligência coletiva se manifesta de maneira inconsciente em diversos setores da sociedade. Ela está em todos os meios de comunicação e transporte, ela está nas estradas e nas ruas, nos sistemas de telefonia e eletricidade, nas instituições e governos. Inclusive diz-se que os estados totalitários não resistiram por sua baixa ênfase na inteligência coletiva.

Encontramo-nos agora na situação de uma espécie em que cada membro teria boa memória, seria observador e astuciosos, mas ainda não teria atingido a inteligência coletiva por falta de uma linguagem articulada.

A hominização, o processo de surgimento do gênero humano, não terminou, mas acelera-se de maneira brutal.

A consciência coletiva não é uma coisa. Ela é um processo de interação, comunicação e reciprocidade humana.

Não é mais o tempo da história, tendo como referência a escrita, a cidade, o passadp, mas de um espaço móvel, paradoxal, que nos vem igualmente do futuro.

Passamos do ¿cogito¿ cartesiano ao ¿cogitamus¿. Longe de fundir as inteligências individuais em uma espécie de magma indistinto, a inteligência coleitva é um processo de crescimento, de diferenciação e de singularidade.

A sociedade da informação é um mal-entendido, nada se automatiza tão bem e tão rápido quanto o tratamento ou a transmissão da informação.

A gíria oferece uma indicação imediata da percepção em transformação

Toda tecnologia nova cria um ambiente que é logo considerado corrupto e degradante

O estudo dos meios de uma só vez, abre as portas da percepção

A arte ofertada como um bem de consumo e como um meio de apurare a percepção permanece enganosa e esnobe como sempre

Neste nova atitude há uma profunda fé a ser procurada, uma fé que refere à harmonia última de todo ser

Cada uma das extensões acarreta no indivíduo e na sociedade um entorpecimento

O meio é a mensagem

A luz elétrica é informação pura

O conteúdo de qualquer meio ou veículo é sempre outro meio ou veículo.

A natureza dos homens é a mesma, são os seus hábitos que os mantêm separados

A cultura tomada em seu amplo sentido etnográfico é este todo complexo que inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes ou qualquer outra capacidade ou hábitos adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade segundo Edward Tylor

Segundo Lévi-Strauss, a cultura é um sistema simbólico que é uma criação acumulativa da mente humana

O capitalismo é desterritorializante. Seu conteúdo é o controle dos fluxos no território. Como o Rei Midas transforma em ouro o que tocava, o capitalismo transforma em mercadoria tudo o que inclui em seus circuitos. O rei Midas morreu de fome. A grande máquina cibernética do capital, com sua virulência epidêmica parece invencível, inesgotável. Que movimentos mais rápidos, mais envolventes que os da economia da desterrritorialização poderiam promover sua desterritorialização?



Estamos nos aproximando rapidamente da fase final das extensões do homem: a simulação tecnológica da consciência, pela qual o processo criativo do conhecimento se estenderá coletiva e corporativamente a toda a sociedade humana.

Eletricamente contraído, o globo já não é mais do que uma vila

Todas as culturas possuem seus modelos favoritos de percepção e conheciemnto, que elas buscam aplicar a tudo e a todos.

Não importa o que pensemos, que sejamos contra ou a favor, devemos admitir que a maior parte dos indícios de que dispomos apontam para um futuro cada vez mais marcado elo mercado capitalista, a ciência e a técnica.

Sei que você está aí. Eu sinto você agora. Sei que está com medo. Está com medo de nós. Está com medo das mudanças. Não conheço o futuro. Não vim aqui dizer como isso vai acabar, eu vim dizer com vão começar. Vou desligar este telefone e mostrar a essas pessoas o que você não quer que elas vejam. Vou mostrar a elas um mundo sem você. Um mundo sem regras e controle, sem limites e fronteiras. Um mundo onde tudo é possível. Para onde vamos daqui é uma escolha que deixo para você.

Ecologia é redes, entender ecossistemas será em última análise entender redes.

Há três tipos de sistemas vivos ¿ organismos, partesd e organismos e comunidades de organismos.

Ecologia, vêm do grgo Oikos(lar), é o estudo do lar Terra. O termo foi introduzido pelo biólogo alemão Ernst Haeckel em 1866 que a definiu como ¿a ciência das relações entre o organismo e mundo externo circunvizinho¿. Uma relação termodinâmica.


As moléculas e os átomos, estruturas descritas pela física quântica, consistem em componentes. Esses componentes não podem ser entendidos como entidades isoladas ], mas devem ser definidos por meio de suas inter-relações. No formalismo da teoria quântica, essas relações expressas em termos de probabilidades, e as probabilidades, e as probabilidades são determinadas pela dinâmica do sistema todo.


Nada resiste à análise, pois ela ignora a natureza do meio, dos meios em geral e de qualquer meio em particular

A análise significa isolar alguma coisa a fim de entendê-la; o pensamento sistêmico significa coloca-la no contexto de um todo mais amplo.

O pensamento sistêmico é contextual.

As propriedades essenciais de um organismo, ou sistema vivo, são propriedades do todo, que nenhuma das partes possui. Elas surgem das interações e das relações entre as partes. Essas propriedades são destruídas quando o sistema é dissecado, física ou teoricamente, em elementos isolados. Embora possamos discernir partes individuais em qualquer sistema, essas partes não são isoladas, e a natureza do todo é sempre diferente da mera soma das partes.

O cinema pela pura aceleração mecânica, transportou-nos do mundo das seqüências e dos encadeam,entos para o mundo dfas estruturas e das configurações criativas.

A velocidade elétrica misturou as culturas pré-historicas com os detritos mercadológicos industriais, os analfabetos com os semiletrados e os pós-letrados.


Estamos atentos a destribalização pela escrita e seus efeitos traumáticos no homem tribal

Submergir os nativos com torrentes de conceitos para os quais não foram preparadops é a ação normal de toda a nossa tecnologia. Mas com os meios elétricos, começamos a sofrer exatamente a mesma inundação que atinge o remnoto nativo. Estamos tão preparados para enfrentar o rádio e a televisão em nosso ambiente letrado quanto um nativo em relação à escrita.


O dinehiro é uma extensão da vida de nossos sentidos. O dinheiro provocou uma revolução na sociedade feudal japonesa no século XVII que depois de dois séculos de isolamento retomaram o intercambio com países estrangeiros.

Nós nos transformamaos naquilo que contemplamos

O artista sério é única pessoa capaz de enfrentar impune a tecnologia , justamente porque ele é um perito nas mudanças da percepção.

As tecnologias especializadas destribalizam. A tecnologia elétrica não especializada retribaliza.

O significado de uma mensagem é a mudança que ela produz na imagem. O interesse antes pelo ¿efeito¿ do que pelo ¿significado¿ é uma mudança básica de nosso tempo, pois o efeito envolve a situação total e não apenas um plano do movimento da informação.

Numa cultura visual altamente letrada é comum acontecer que a aparencia visual ofusque o som do nome da pessoa, já numa cultura auditiva o que se impõe é o som do nome da pessoa.

O nome de alguém é um verdadeiro passe hipnótico que a pessoa fica submetida durante toda a vida.

O trabalho humnano tende a se deslocar cada vez mais emdireção ao inautomatizavel, a saber, a criatividade, a iniciativa, a coordenação e a relação. Nosso pais eram camponeses, nosso filhos trabalharão em nebulosas formadas por empresas conectadas em rede.

A navegação de longo curso e a imprensa nascem juntas. O desenvolvimento dos correios estimula e utiliza tanto a eficácia quanto a segurança das malhas rodoviárias. O telegrafo se expande ao mesmo tempo que as estradas de ferro. O automóvel e o telefone tomam os mesmo rumos. O rário e a televisão são ontemporaneos do desenvolvimento da aviação e exploração espacial.

Do homo erectus ao homosapiens, a humanidade nasce em algum da África Oriental, entre um Milão e 300 mil anos antes de cristo.
As ultimas hipóteses dos paleontólogos sugerem que nossos ancestrais mais diretos habitavam a mesma zona geográfica. É provável que eles tenham falado a mesma língua ou línguas vizinhas e estavam em comunicação direta uns com os outros. A escrita surge na chamada revolução neolítica há 10 mil anos, onde uma mutação técnica, social, cultural, política e demográfica se traduziu na invenção da agricultura, da cidade e do estado.

As tecnologias da inteligência são processos mentais de entendimento através de associações orais, escritas e icônicas.

A consciência coleitiva é o processo social de troca e de produção de conhecimentos.

Novas maneiras de pensar e de conviver estão sendo elaboradas no mundo. Escrita, leitura, visão, audição, criação e aprendizagem são capturados por uma informática cada vez mais avançada. A pesquisa científica não pode desenvolver sem um a aparelhagem complexa que redistribui as antigas divisões entre experiência e teoria.
Na época atual, a técnica é uma das dimensões fundamentais do mundo humano, e ela é reconhecidamente um dos mais importantes temas filosóficos e políticos do nosso tempo.
Ninguém mais acredita no progresso, e a metamorfose técnica do coletivo humano nunca foi tão evidente. A informatização das empresas, a rede telemática, os computadores nas escolas, misturam-se inseparavelmente com problemas técnicos, negociações políticas e projetos culturais.
Uma verdadeira integração da informática e do audiovisual pode supor um abandono de um hábito antropológico milenar. A escola é uma instituição que se baseia no falar/ditar do professor e na escrita do aluno há 5 mil anos, e há apenas 4 séculos no uso moderado da impressão.






posted by Carlos Magno Rodrigues Rocha 7:30 PM
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